Pó de poema
(Augusto Dias)
Pó de poema
Lançado ao vento
Sem estratagema,
Sem contratempo...
Pode ser modernista
sem nada rimado,
pode ser um punk,
assim
pós-moderniado
Pó de poema
Ligado na antena
Do que é eterno
Enquanto dura,
Do que é amargo
Enquanto cura.
Na cama
pode poema,
pode tudo
entre lençóis:
o beijo,
o lampejo,
as nuvens
e os sóis.
Pode poema
acompanhado
ou
a
sós.
Pó de poema
Soprado
no ouvido,
num brado
ou num grito,
entre
(ou enter)
o teclado.
Pode poema
Ser
deletado,
Mas pode,
também,
Ser
deleitado,
Ser
dedicado,
Ser
delegado,
Ser
dilatado.
Ser, somente.
Pode poema
de homem
pra homem,
de mulher
pra mulher.
Enfastiado
ou com fome,
de garfo
ou colher,
pode poema.
Pó de poema
espelhado
por musas,
espalhado
por mouses,
de ideias confusas.
O que quer
que ele cause,
pode poema
Porque
somos livres
E só a poesia
Pode fazer,
certo dia,
pó do sistema.
Pó de Poema
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 23 de abril de 2011
Um Minuto Para O Fim Do Mundo
O dia que eu não puder mais escrever,
Minha poesia professar,
Devo confessar:
Morri.
Ou deixei de enxergar,
Nunca mais entendi,
Como Borges
Não vi
O que estava para chegar
E já estava aqui.
O dia em que os poemas forem embora
E as lágrimas rolarem,
As vozes calarem
Tudo ao mesmo tempo agora:
Parti.
Ou parei de ficar estático
Abandonei as letras
Quem sabe virei matemático,
Um lunático
Por ti.
O dia em que secar toda lírica
E minha poesia tiver fim e início
Mas não puder ser mais empírica
Como qualquer escrito fenício,
Traduzi.
Neste último dia
Quando tudo for só cinza
E eu estiver velho,
Caduco, decrépito
E ranzinza
Decreto, publico
( Mas não explico )
A obra póstuma.
Meio parnasiano,
Meio psicografando
Serei um “eunuco garanhão”
Que nunca chegará perto de seu coração
Menos ainda de tua estante.
Serei só uma “posta restante”
Uma sombra, um semblante
E teremos um minuto
Para o fim do mundo
Penúltimo instante
Um tanto nauseabundo
Deste amor resoluto,
Mas para sempre
Prostituto
E nunca vagabundo.
(Augusto Dias)
O dia que eu não puder mais escrever,
Minha poesia professar,
Devo confessar:
Morri.
Ou deixei de enxergar,
Nunca mais entendi,
Como Borges
Não vi
O que estava para chegar
E já estava aqui.
O dia em que os poemas forem embora
E as lágrimas rolarem,
As vozes calarem
Tudo ao mesmo tempo agora:
Parti.
Ou parei de ficar estático
Abandonei as letras
Quem sabe virei matemático,
Um lunático
Por ti.
O dia em que secar toda lírica
E minha poesia tiver fim e início
Mas não puder ser mais empírica
Como qualquer escrito fenício,
Traduzi.
Neste último dia
Quando tudo for só cinza
E eu estiver velho,
Caduco, decrépito
E ranzinza
Decreto, publico
( Mas não explico )
A obra póstuma.
Meio parnasiano,
Meio psicografando
Serei um “eunuco garanhão”
Que nunca chegará perto de seu coração
Menos ainda de tua estante.
Serei só uma “posta restante”
Uma sombra, um semblante
E teremos um minuto
Para o fim do mundo
Penúltimo instante
Um tanto nauseabundo
Deste amor resoluto,
Mas para sempre
Prostituto
E nunca vagabundo.
(Augusto Dias)
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