sábado, 23 de abril de 2011
Um Minuto Para O Fim Do Mundo
O dia que eu não puder mais escrever,
Minha poesia professar,
Devo confessar:
Morri.
Ou deixei de enxergar,
Nunca mais entendi,
Como Borges
Não vi
O que estava para chegar
E já estava aqui.
O dia em que os poemas forem embora
E as lágrimas rolarem,
As vozes calarem
Tudo ao mesmo tempo agora:
Parti.
Ou parei de ficar estático
Abandonei as letras
Quem sabe virei matemático,
Um lunático
Por ti.
O dia em que secar toda lírica
E minha poesia tiver fim e início
Mas não puder ser mais empírica
Como qualquer escrito fenício,
Traduzi.
Neste último dia
Quando tudo for só cinza
E eu estiver velho,
Caduco, decrépito
E ranzinza
Decreto, publico
( Mas não explico )
A obra póstuma.
Meio parnasiano,
Meio psicografando
Serei um “eunuco garanhão”
Que nunca chegará perto de seu coração
Menos ainda de tua estante.
Serei só uma “posta restante”
Uma sombra, um semblante
E teremos um minuto
Para o fim do mundo
Penúltimo instante
Um tanto nauseabundo
Deste amor resoluto,
Mas para sempre
Prostituto
E nunca vagabundo.
(Augusto Dias)
O dia que eu não puder mais escrever,
Minha poesia professar,
Devo confessar:
Morri.
Ou deixei de enxergar,
Nunca mais entendi,
Como Borges
Não vi
O que estava para chegar
E já estava aqui.
O dia em que os poemas forem embora
E as lágrimas rolarem,
As vozes calarem
Tudo ao mesmo tempo agora:
Parti.
Ou parei de ficar estático
Abandonei as letras
Quem sabe virei matemático,
Um lunático
Por ti.
O dia em que secar toda lírica
E minha poesia tiver fim e início
Mas não puder ser mais empírica
Como qualquer escrito fenício,
Traduzi.
Neste último dia
Quando tudo for só cinza
E eu estiver velho,
Caduco, decrépito
E ranzinza
Decreto, publico
( Mas não explico )
A obra póstuma.
Meio parnasiano,
Meio psicografando
Serei um “eunuco garanhão”
Que nunca chegará perto de seu coração
Menos ainda de tua estante.
Serei só uma “posta restante”
Uma sombra, um semblante
E teremos um minuto
Para o fim do mundo
Penúltimo instante
Um tanto nauseabundo
Deste amor resoluto,
Mas para sempre
Prostituto
E nunca vagabundo.
(Augusto Dias)
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