domingo, 8 de abril de 2012

Pó de poema
(Augusto Dias)

Pó de poema
Lançado ao vento
Sem estratagema,
Sem contratempo...

Pode ser modernista
sem nada rimado,
pode ser um punk,
assim
pós-moderniado

Pó de poema
Ligado na antena
Do que é eterno
Enquanto dura,
Do que é amargo
Enquanto cura.

Na cama
pode poema,
pode tudo
entre lençóis:
o beijo,
o lampejo,
as nuvens
e os sóis.

Pode poema
acompanhado
ou
a
sós.

Pó de poema
Soprado
no ouvido,
num brado
ou num grito,
entre
(ou enter)
o teclado.



Pode poema
Ser
deletado,
Mas pode,
também,
Ser
deleitado,
Ser
dedicado,
Ser
delegado,
Ser
dilatado.
Ser, somente.

Pode poema
de homem
pra homem,
de mulher
pra mulher.

Enfastiado
ou com fome,
de garfo
ou colher,
pode poema.

Pó de poema
espelhado
por musas,
espalhado
por mouses,
de ideias confusas.

O que quer
que ele cause,
pode poema
Porque
somos livres
E só a poesia
Pode fazer,
certo dia,
pó do sistema.